São Paulo, Brazil
(JORNALISMO INDEPENDENTE) Contato: diego_graciano@hotmail.com

23 de março de 2009

"Lutei muito pelo futebol feminino, mas eu também tenho contas a pagar!"

Considerada uma das melhores zagueiras do futebol feminino, a ex capitã da seleção brasileira Juliana Cabral, dá uma aula de princípios, aporta idéias para não deixar morrer o esporte no Brasil, critica o ambiente da modalidade e conta sua incrível demissão do Corinthians.

Aos 27 anos, Juliana Cabral, referência do futebol feminino no Brasil (com dois Mundiais e duas Olimpíadas disputadas) antecipa em tom de frustração, que abandonará o futebol. “Infelizmente estou decidindo parar de jogar. Estou sem receber de alguns clubes até hoje, porém quando, no ano passado, eu acertei com Corinthians achei que finalmente ia ser respeitada no futebol feminino. Fiquei empolgada com o projeto do Corinthians. Com a demissão fui pega de surpresa, fiquei chateada, arrasada, porque eu já passei por muita coisa! já lutei muito por essa modalidade! mas até que ponto??. Eu também tenho a minha vida! eu também tenho contas a pagar! Depois disto me senti completamente desrespeitada” desabafa Juliana numa entrevista exclusiva com EL DIEGO. Segundo ela o Corinthians informou só em adiar os treinos e reduzir salários, mas após as eleições no clube “quando nos apresentamos em 1º de março todas as quinze jogadoras, encontramos uma comissão técnica nova que escolheu só duas meninas para ficarem, quer dizer, o clube manteve o grupo o ano inteiro, em janeiro e fevereiro pedirem para aguardarmos e, quando nos apresentamos, ficamos desempregadas” conta a ex capita do Timão, que já jogou na Suécia e nos Estados Unidos.

“Meu sonho nao acabou no futebol feminino. Agora vou tentar do lado de fora aperfeiçoar meus estudos e continuar dando aula numa escolinha de futebol” comenta Juliana, que estuda o último ano de Educação Física e foi premiada pela UNIP (Universidade Paulista) com uma bolsa de estudos. Ela agradece o apoio incondicional de toda sua família, especialmente de seu pai, um ex jogador, e seus outros espelhos: os zagueiros Gamarra e sua colega Elaine.

Juliana opina que o problema principal da atividade no Brasil vai além da falta de estrutura, “não devemos pensar em resultados imediatos de grana, temos que começar do zero mesmo. Faltam pessoas conhecedoras da modalidade para colocar uma estrutura correta, faltam times mais competitivos, não podemos ter jogos de 10-0. Acho que, primeiramente, o futebol feminino deveria apresentar-se ao público nas preliminares dos campeonatos masculinos".

O preconceito no futebol feminino ainda é um tema para debate: "Eu não estou fazendo um mal para a sociedade, pelo contrário! Beneficio a cultura do esporte, minha mãe morreu muito cedo e minha disciplina, determinação, caráter, foi tudo conquistado a traves do esporte! Talvez a imagem que uma jogadora de futebol passa para a sociedade não é legal. Quando eu comecei, nos estádios e nas quadras, eu via menina de bermudão, camisetão, cabelo raspado, meninas de mãos dadas, quer dizer, isso vai contra uma grande parte da sociedade e você não pode bater de frente com uma sociedade que não aceita, como é que mães vão levar suas filhas pequenas num ambiente desse? Por exemplo: ‘eu jogo futebol, sou mulher, mas futebol é para homem, então eu viro um homem’ esse pensamento atrapalha o futebol feminino. Às vezes a gente reclama demais que falta estrutura e apoios, mas que marca vai querer patrocinar a imagem de uma mulher que se comporta como homem?".

7 comentários:

  1. belissima entrevista Diego, infelizmente o futebol feminino é exatamente isso ai que a juliana falou.
    Sao paucas que se dao bem e que conseguem permanecer por muito tempo no futebol, o espaço que sao cedidos a elas é escasso...
    Uma grande abraço meu amigo e conte sempre comigo

    ResponderExcluir
  2. Parabéns pela entrevista Diego, mas infelismente essa não é apenas a realidade do futebol feminino e sim de muitas outras modalidades esportivas que possuem suas "imagens destorcidas" pela sociedade...
    Um forte abraço

    ResponderExcluir
  3. Gostei muito da matéria! Eu sou jogadora e concordo com a opiniao de Juliana Cabral. Obrigada Diego por divulgar uma atividade ignorada pela mídia brasileira!

    ResponderExcluir
  4. sou jogadora naci aqui em recife e jogo só pra brincar. meu salario é porra nenhuma e naum tem escolinhas para mulheres por perto. brasil tem uma das melhores seleçoes do mundo mas no próprio pais somos os piores. obrigada, Diego vc é um gato rsrs

    ResponderExcluir
  5. Que no puede lograr un hombre con vocación y principios....Un fuerte abrazo al mejor periodista deportivo argentino-brasilero y amigo, desde Baires

    ResponderExcluir
  6. Diego meu nome é Débora Velozo, sou da redetv. Vi seu blog, gostei, podemos bater um papo?

    6390-4097! Aguardo contato

    ResponderExcluir
  7. NÃO É FÁCIL ROMPER BARREIRAS. É DIFÍCIL SER PIONEIRA. SOU A PRIMEIRA MULHER ÁRBITRA DE FUTEBOL PROFISSIONAL NO MUNDO, TIVE QUE ENGOLIR MUITO SAPO PARA CONSEGUIRI IMPOR-ME NUM ABIENTE TÃO MACHISTA. MAS NÃO PERDI MEU JEITO DENGOSO DE SER MULHER.

    ResponderExcluir