São Paulo, Brazil
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24 de abril de 2009

“Havia lances do Maradona em que me via”

(Segunda parte da entrevista de El DIEGO com Roberto Rivellino)

Na autobiografia de Maradona, Yo soy el Diego, o argentino só fala coisas boas sobre a personalidade de Rivellino. Segundo publica-se no livro, na época do Brasil ’70, Rivellino falou para o Rei Pelé em tom de brincadeira: “Fala a verdade, você teria gostado de ter nascido canhoto”. Sorridente, Rivellino diz lembrar daquele episódio, e acrescenta: “acho que o jogador canhoto com qualidade é diferente, na maneira de bater na bola, na elegância".

“Maradona tem um carinho por mim, eu acho bonito, para mim é gratificante. Eu tenho carinho por ele, também pelo que representa para o povo argentino, considerado quase um Deus. Tomara que tenha sucesso nessa nova etapa como treinador, eu torço muito por ele. Tenho guardados belos depoimentos de Maradona falando sobre mim. Na época em que ele jogava no Sevilha da Espanha, eu trabalhava como comentarista na televisão. Ele veio jogar um amistoso contra o São Paulo, e falei para ele ao vivo: ‘gostaria de ter sua camisa para guardar com carinho’. Ele ficou orgulhoso e ao terminar o jogo me convidou ao vestiário, educado e elegante, ele fez questão de tirar sua camisa na hora e dar para mim” comenta emocionado.

O ex-craque brasileiro diz que o único jogador semelhante ao seu estilo de jogo foi Maradona. “Ele tinha grande facilidade na perna esquerda, ao dar um toque, eu também tinha. Havia lances dele em que me via, eu dizia: ‘pô, aquela jogada eu também fiz’ (rsrs) Maradona foi um jogador do outro mundo”.

Ao escolher os melhores da história, Rivellino pensa também em Cruyff, Di Stéfano, Beckenbauer, “eu colocaria Pelé num outro nível, pelas suas conquistas. Mas as pessoas esquecem de Garrincha, que foi um gênio. O que ele fazia num espaço reduzido, era descomunal. Eu não vi fazer ninguém. Em 1958 ele criava as jogadas e em 1962 foi um absurdo de craque”.

Hoje diz que gosta de assistir o futebol inglês. Opina que o sueco Zlatan Ibrahimovich é “tecnicamente fantástico” e que Lionel Messi “é o atual melhor jogador do mundo”. Lembra de alguns jogadores argentinos de seu agrado, entre eles, Kempes, Brindisi, Bertoni, Ardiles (‘muito inteligente’) Passarella (‘um zagueiro que subia bem alto e batia na bola como ninguém’) Julio Ricardo Villa, Rattín, Perfumo, Agustín Cejas, Artime (‘no Palmeiras fez um monte de gols’) e “el loco” Doval, que jogou junto Rivellino.

A pesar de haver ganhado poucos títulos no Corinthians, ao longo dos dez anos que o defendeu, “Riva” ou “Maloca” é considerado um dos melhores jogadores da história do clube. O chamado "Reizinho do Parque" hoje reconhece que sua saída pela porta dos fundos do Timão, foi o golpe mais duro da sua carreira.
“Voltaria ao tempo só para poder mudar aquele placar (0-1 contra Palmeiras na decisão do Campeonato Paulista 1974) Eu não esperava sair assim do clube. Um jogador pode decidir um jogo, mas perder um jogo sozinho?? Eu estou sujeito a jogar mal, mas futebol é um jogo coletivo. Acho que a crônica paulista foi a responsável pela minha saída do Corinthians. A imprensa me tirou do clube. Houve uma pessoa que foi muito maldosa comigo e criou um clima contra mim, gerou uma crítica geral, e tudo mundo se omitiu. Na época, até o presidente Vicente Matheus se omitiu, também não ouvi depoimentos de jogadores de meu time me defendendo, tudo caiu encima de mim” se defende o homem de “patada atômica” que encantou o mundo.

4 comentários:

  1. É fácil encontrar semelhanças entre a maneira de jogar do Riva e do Maradona, porém, talvez por ter jogado na seleção do Brasil com tantos outros craques, o Riva não tenha tido o mesmo reconhecimento que o craque argentino que, para muitos, ganhou uma Copa sozinho. Quanto à saída do Corinthians, realmente foi uma das grandes injustiças do futebol brasileiro. Acho que a derrota para o meu Verdão em 74 teve grande importância mas, mesmo assim, não é justo culpar apenas um jogador. Um caso parecido e mais atual é o do Kaká que foi malhado pela torcida do São Paulo e depois provou ser um grande jogador. Coisa de torcedor fanático que não mede as consequências de seus atos.
    Ótima entrevista.
    Edu Palestra

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  2. Olá Diego:

    Excelente entrevista que você realizou com o CRAQUE RIVELINO (O eterno "garoto do parque"), é gratificante conhecer detalhes dos craques que, além de terem feito história, fizerem a diferença em seus clubes, fato raro nos dias de hoje.

    Detalhe:
    Sou amigo do "Edu Palestra", trabalhamos juntos e bem alinhados (mesmo ele sendo palmeirense e eu corinthiano).

    Abraços!

    Ricardo BOGA

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  3. Tudo ok. Apenas a lembrar que o grande riva foi muito feliz no fluzão e a camisa linda a época lhe caia muito bem.

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  4. o Grande Riva foi feliz mesmo no fluminense e a camisa lhe caia muito bem.

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