São Paulo, Brazil
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6 de maio de 2009

“Eu queria ser engenheiro químico e terminei jogando três mundiais”

Ícone do futebol mundial, Freddy Rincón diz estar focado na sua nova fase como treinador. Com mais de quinze anos morando no Brasil, agradece o acolhimento recebido no Corinthians e Palmeiras. Sobre o problema na justiça, acusa o governo de Álvaro Uribe, fala de traições, e opina sobre as supostas ligações entre jogadores e narcotraficantes colombianos.

Adaptado no Brasil “com esposa e dois filhos brasileiros” diz, o colombiano Rincón deixou boas lembranças no Santos, Cruzeiro, Corinthians e Palmeiras. “Sinto um maior carinho pelo Corinthians, passei mais tempo lá, quase caímos na segunda divisão e também ganhamos títulos. Agradeço ao Palmeiras porque foi o primeiro time que joguei no Brasil e me repatriou ao voltar da Europa”.

O ex-jogador treinou o Iraty do Paraná e o São Bento de Sorocaba. Segundo ele, foram duas experiências positivas. Agora sonha em dirigir a seleção da Colômbia, “porém, a administração ruim do futebol de meu país freia minha ambição”.

Critica uma suposta “falta de empenho” dos jogadores da seleção colombiana. “Como colombiano é pesado dizer ‘não confio na classificação da Colômbia para o Mundial 2010’ mas eu sou realista, não confio. Nossa geração deixou o futebol colombiano no alto, agora caiu” opina, quem mostrou seu talento no passado junto ao Pibe Carlos Valderrama, Faustino Asprilla, Adolfo Tren Valencia, René Higuita, Leonel Álvarez, entre outros craques.

Líder e disciplinado, Rincón fez o gol mais importante da história de seu país, o empate nos acréscimos contra Alemanha no Mundial da Itália em 1990: “A Colômbia vivia um momento político difícil e aquele gol foi como um desabafo” lembra. Também fez dois gols no pior vexame da Argentina. “Bolívia fez seis, mas em La Paz. Nós ganhamos de cinco a zero em Buenos Aires. Eu fui aplaudido pela torcida argentina, fiquei impressionado”.

Nascido na cidade portuária de Buenaventura, Freddy tinha outros planos. “Eu queria ser engenheiro químico, era bom na escola com isso. Mas adorava jogar futebol e com o tempo terminei jogando três mundiais”.

Acusado de lavagem de dinheiro procedente de uma rede de narcotraficantes, em 2007 ficou preso 123 dias em São Paulo. “Sempre fui uma pessoa correta. Sou um cidadão do mundo, agora não me permitem viajar. Passei ser persona non grata, me sinto excluído. A Colômbia sabe que sou inocente! Não recebi apoio nenhum do governo de meu país. Na Colômbia a corrupção é grande, ídolos não interessam” desabafa Rincón numa entrevista exclusiva com El Diego.

Em agosto de 2009 haverá uma audiência relativa ao processo que enfrenta na justiça. Por enquanto ele não pode sair do Brasil. “O Brasil arquivou meu caso. Por qué a Colômbia não fez o mesmo que o Brasil?? Enviei-lhes minhas provas, mas a primeira coisa que fizeram na Colômbia foi bloquear meus bens!. Lá, não tem interesse em resolver meu caso. Por qué me envolvem num esquema e me vinculam com o narcotráfico, se não tenho nenhum cheque assinado com nenhuma empresa?” se defende.

-Existe alguma relação entre jogadores e o narcotráfico na Colômbia? Por exemplo, René Higuita visitou na cadeia a Pablo Escobar...
-Quando você sabe que uma pessoa é ‘aquilo’ e essa pessoa convida você jogar bola na sua fazenda, como vou dizer ‘não’? Ninguém poderia saber as possíveis represálias por isso. Nunca estive envolvido com nada de errado!
-Você conheceu na sua infância o suposto chefe narco Pablo Rayo Montaño, envolvido no seu caso?
-Meu irmão era amigo dele, eu cresci, comecei a jogar bola, tive uma amizade com ele, para mim ele sempre foi um empresário que gostava do futebol.
-Neste caso, se sentiu traído por ele?
-Traição é pouco. Se não se preserva um amigo é lógico que você vai se sentir traído, e não falo só dele. Fui traído pelo meu próprio país! Eu sou uma referencia lá! Por qué a Colômbia está carente de ídolos hoje? Há cantores Juanes, Shakira, e no esporte? Quem?? Ainda se fala de Valderrama, Asprilla...
-Numa década, nove jogadores colombianos foram assassinados. Qual é sua opinião?
-Não tive medo de morrer porque nunca fiz nada de errado, só me dedicava a jogar futebol. Não estou dizendo que os outros fizeram algo errado. Só tem que analisar os motivos de cada assassinato. O de Andrés Escobar aconteceu quando fez o gol contra num Mundial. Ele foi morto pelo gol contra?? Essas coisas deveriam ser analisadas de forma individual e não em conjunto. Andrés era um cara amigável, foi um momento muito triste. Igualmente acho que futebol ainda é um esporte, e não uma guerra.

2 comentários:

  1. Como um torcedor apaixonado por futebol, já ouvi muita coisa sobre a vida de Rincón extra-campo mas, quando vem à memória o jogador Fred Rincón é fácil esquecer o que já se falou e noticiou sobre ele fora das 4 linhas. Foi, sem dúvida alguma, um dos melhores meio-campistas que vi jogar. Me lembro que quando chegou ao meu Palmeiras ainda era uma incógnita, mas, com o passar do tempo, aquele seu estilo de xerifão do círculo central conquistou a nossa exigente torcida. A raça e o toque refinado e seguro sempre foram suas características. Mesmo que o futebol colombiano dê a volta por cima, acredito que o Fred sempre será lembrado como o maestro daquela grande seleção de Asprilla, Valderrama e companhia.
    Espero que o jovem Pablo Armero, hoje no meu alvi-verde, consiga seguir os passos daquela geração.
    Bela entrevista hermano. Parabéns.
    Edu Palestra

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  2. Señor Graciano: Lei el artículo que antecede publicado en el semanario Nuevo Estadio el cual me parecio excelente. Asi mismo aprovecho la oportunidad, para solicitarle de manera comedida le exprese a mi compatriota Freddy Rincón que él no se encuentra solo en su lucha contra el estado narco paraco presidido por Uribe Balas, pues en este país unicamente se protege a los políticos manchados de sangre y a los secuaces asesinos del presidente.
    Cordialmente,

    Atys Gaia

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