São Paulo, Brazil
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17 de junho de 2009

“Eu, Sócrates e Casagrande faríamos uma outra revolução no Corinthians”

Wladimir, o ex-jogador que mais vezes vestiu a camisa do Timão, explica os motivos de seu afastamento como conselheiro do clube. Acusa os dirigentes de administrar por “causa própria” e conta sua estratégia para liderar uma outra Democracia Corinthiana. Opina que os atletas de hoje estão muito mal assessorados, e fala sobre um suposto esquema nas convocações da seleção brasileira.

Em plena ditadura no Brasil, Wladimir Rodrigues dos Santos foi um dos líderes da Democracia Corinthiana, considerada a mais importante mobilização de atletas do futebol brasileiro. “A nossa missão era redemocratizar o país, conscientizar as pessoas para participar da vida política, num momento de muita centralização de poder. Nós tornamos facultativas as concentrações. Quem achasse importante concentrar, ficava concentrado, quem não achasse, ficava na sua casa. Decidíamos as datas de viagem nos jogos. Estipulamos uma participação de 25% na renda liquida, e chegamos a escolher um técnico”.

O ex-lateral esquerdo começou nas categorias de base do Timão e fez 805 jogos ao longo de dezessete anos no clube. “Joguei com costela quebrada, tornozelo inchado e febre. Foram 167 partidas ininterruptas e cinco anos diretos sem levar cartão” comenta orgulhoso aos 54 anos.

Apesar da sua rica história no Corinthians, hoje se sente afastado do clube. “Dualib (ex Presidente) caçou meu mandato de conselheiro. Andrés Sanches (atual Presidente) me convidou para gerenciar as categorias de base, mas ele declinou pela pressão que sofreu. Nós somos pessoas não gratas no clube, eu, Sócrates e Casagrande. Porque a gente se posiciona sobre o que está dando errado. Os dirigentes não gostam de ouvir críticas, e, principalmente, porque numa outra época, nós atingimos um status no clube de co-gestão. Nós opinávamos, decidíamos. Os dirigentes mais conservadores que sucederam Waldemar Pires (Presidente entre 1981 e 1985) acreditam que isso é uma libertinagem, por isso eles não gostam de nós” declara Wladimir, numa entrevista exclusiva a El Diego.

“O Corinthians é muito grande para que se tomem decisões numa sala entre alguns diretores. Esse pessoal não representa o Corinthians. Administram o clube de uma forma fechada e muito centralizada, isso faz com que as coisas erradas não apareçam” desabafa e dispara contra uma facção da torcida organizada. “Cheguei no clube no ano da fundação dos Gaviões da Fiel. As primeiras diretorias deles tinham status de estadistas mesmo. Tinham o intuito de ajudar o clube, de contribuir na gestão, sem violência, sem pressão, no diálogo. Infelizmente, tudo isso acabou”.

Sobre uma possível candidatura à Presidência do Corinthians, citando o trio Wladimir-Sócrates-Casagrande (fundadores da Democracia Corinthiana), o atual Secretário de Esportes do município paulista de São Sebastião, diz acreditar nessa possibilidade: “Seria perfeitamente viável. Nós faríamos um trabalho revolucionário. A gente já conversou sobre isso. Trabalhar junto a pessoas que tenham sintonia, com uma administração transparente e de participação. Eu ouço pelas ruas muita gente que gostaria de ver a nossa contribuição na administração do clube. Para isso acontecer, eu precisaria ser conselheiro mais uma vez para ter direito a concorrer a uma eleição, e Sócrates precisa ser mais duas vezes”.

Em 2009 a camisa do Corinthians tem um visual com cinco marcas diferentes. O homem que mais vezes a vestiu (disparado) na história do clube, é palavra autorizada para opinar sobre o assunto: “Não gosto dessa camisa, é muito feia. Hoje é um balcão de anúncios. Um clube muito mal administrado acaba tendo que fazer esse tipo de parcerias”.

O ex Presidente do Sindicato de jogadores, tesoureiro, candidato a vereador em 1992 e 2008, diz elaborar “uma política pública de esporte e lazer para crianças carentes. Jogador é mal preparado aqui, estão indo muito cedo sem ter uma formação básica para se adaptar. Por isso jogador brasileiro apronta lá fora. O atleta é muito mal assessorado. As pessoas só visam lucro e não a formação integral do individuo”. Da política esportiva à nacional, sobre um possível terceiro mandato do Presidente Lula, “eu apoiaria” afirma. “Lula não é político acostumado a falcatruas. É o grande Presidente que nós tivemos nos últimos cinqüenta anos”.
Wladimir nunca disputou um Mundial. Ele afirma que mereceu ser convocado na Copa de 1982, "mas o técnico optou por Pedrinho" diz. Sobre a seleção brasileira, fala com clareza. “Eu não gosto, a seleção sofre muita interferência. Dunga não tem autonomia. Consegue resultados pelos jogadores que tem. Ele não precisa ser muito esperto. Hoje tem pouquíssimos técnicos que não se submetem. O empresário de futebol assumiu uma importância maior do que o treinador num time”.

Na minha época, se empatar com Paraguai, Bolívia ou Equador, o técnico caia e mudavam os jogadores. A seleção de hoje pode perder com qualquer um, que não muda nada. Além disso, a convocação atual da seleção atende a interesses de alguns. São convocados os jogadores que tem empresários ligados a dirigentes da CBF, os que... enfim... Por isso, na maioria das vezes, não são os melhores que vão jogar na seleção".

Um comentário:

  1. Bela entrevista. Foi possível conhecer melhor o Wladimir. Pareceu ser um cara bastante sensato, com idéais claras e coerentes. Não tinha esta visão dele.
    Agora Diego, tá na hora de começar entrevistar alguns craques do São Paulo. Sugestão (Careca, Raí, Darío Pereira e Valdir Perez).
    Araços,
    Giovani

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