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13 de julho de 2009

“Dunga e Maradona merecem todo sucesso como técnicos”


Antônio de Oliveira Filho, conhecido mundialmente como Careca, opina sobre gols e centroavantes. Reconhece o Guarani de Campinas como o time pelo qual guarda maior carinho. Fala de sua amizade com os atuais treinadores de Brasil e Argentina: “Maradona foi o cara, jogar a seu lado foi meu sonho”.

“Desde o início eu apostei no Dunga como técnico da seleção” diz o craque Careca. “As pessoas o criticavam, mas acreditei nele na primeira hora. Dunga está demonstrando bons resultados e bom futebol. Torço por seu sucesso porque também é meu amigo” opina sobre seu ex-companheiro do Mundial Itália '90.

“Dunga conseguiu conquistar o grupo com disciplina. Os jogadores que hoje estão servindo a seleção parecem atuar com prazer, com mais alegria. Isso é uma grande conquista dele” afirma Careca em uma entrevista exclusiva ao El Diego.

Quanto ao próximo jogo das eliminatórias entre Brasil e Argentina, Careca esquiva-se de dar um palpite: “não me importo com o resultado. Haverá dois amigos meus no jogo, Dunga e Maradona. Eles merecem todo sucesso como técnicos”.

Careca conviveu e jogou com Dunga e Maradona. Ele afirma que ambos têm muito em comum. “Jogadores de referência, com um passado de conquistas, levantaram uma Copa do Mundo. De personalidade forte, foram líderes em campo. Eles sabem o que passa na cabeça do jogador. São motivadores. Não precisam do diploma de técnico. Só da prática, do dia a dia no treino”, opina.

Um dos maiores centroavantes do Brasil declara quais são seus atacantes preferidos na seleção brasileira.
“Luis Fabiano tem mais força do que eu tinha e Nilmar é muito técnico. Alguns lances deles me lembram as minhas qualidades. Adriano me impressiona. Explosivo, com talento, força, sabe fazer gols, bate bem na bola, intimida o zagueiro. Adriano e Luis Fabiano na frente dariam enorme trabalho para qualquer defesa” afirma o atual empresário, 49.

Na temporada 1989/90, Careca e Maradona fizeram uma parceria gigante em um time pequeno. No Nápoli da Itália a dupla conquistou um segundo Scudetto, além de outros títulos e elogios.
“Eu tinha uma oferta da Espanha, mas fui ao Nápoles para estar junto com Diego. Jogar a seu lado foi um sonho. Conseguimos um respeito mútuo. Maradona foi o cara! Tenho o maior carinho por ele. De um coração enorme, pessoa transparente. Ele brigava pelos direitos dos massagistas, dos roupeiros, pelo grupo todo” comenta, e lembra de uma atitude: “no Mundial da Itália ‘90, no final do jogo contra Argentina após o gol de Caniggia, Diego foi o primeiro a me abraçar para consolar”.

“Careca foi fenomenal, um amigo. Um dos melhores parceiros da minha carreira” escreveu Maradona na sua autobiografia. Careca dá o troco. “Diego tem tudo para fazer uma grande carreira como técnico, torço pelo seu sucesso. Tomara consiga uma vaga no Mundial, ele merece”.
A amizade deles se aprofundou em Nápoles, Sul da Itália. Uma cidade conhecida também pelas marcas do clã da máfia e marginalizada pela elite do Norte do país.
“Morei seis anos em Nápoles. Cidade maravilhosa, com sol, mar, com torcedores malucos pelo futebol. O pessoal do norte vinha se divertir em Nápoles. Quando a gente jogava lá (no Norte) dava o troco para eles” (risos).

Em seu livro Gomorra, o jornalista Roberto Saviano denunciou a máfia napolitana. “Eu não tinha contato direto com a Camorra. Eu nunca fui cobrado por essas pessoas. Eu ficava na minha. Envolvido com familiares e amigos”.

Além de seu sucesso no exterior, Careca lembra outros momentos da sua carreira. “Comecei com quinze anos no Guarani de Campinas, isso é sempre marcante, sinto um carinho especial. No São Paulo fiquei quase quatro anos, conquistamos vários títulos e deixei a minha marca. O São Paulo vive hoje uma crise momentânea. Após vários títulos, às vezes, ocorre uma queda de resultados. Precisa de uma renovação. Vai conseguir melhorar porque tem uma estrutura diferenciada”.

O gol mais valioso da sua carreira “foi ao conseguir o primeiro título brasileiro no Guarani contra o Palmeiras. Ganhamos de um a zero, e eu fiz de perna direita”, lembra. “Fiz um gol bonito de bicicleta num jogo Brasil e Argentina, na Bahia”, acrescenta. “Os melhores gols que eu assisti? O segundo de Maradona nos ingleses, outro de Messi pelo Barcelona muito parecido, e um de Nilmar no Inter contra Corinthians no Pacaembu”, declara.

Fundador do Campinas Futebol Clube e do centro esportivo Careca Sport Center em Campinas, o ex-atacante também atua na função de descobridor de talentos. Administra, além disso, o sub-15 e o sub-17 do clube paulista Internacional de Bebedouro.
“Na Copa 2014 gostaria de trabalhar como coordenador, quem sabe participar da seleção brasileira ou ajudando seleções estrangeiras” diz o homem-gol, uma referência do futebol brasileiro e mundial.

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