São Paulo, Brazil
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14 de março de 2011

Novela das Dez

O maltrato começa com uma longa e demorada fila para obter um ingresso caro, que não é coisa para torcedores que recebem um salário mínimo.
Após uma jornada de trabalho, o torcedor que dribla o trânsito na chegada ao estádio, fica exposto a qualquer ato de violência (carrega filhos e mulher), chega ao palco do espetáculo cansado e ainda tem de aguentar banheiros que sequer possuem higienização adequada.
Depois do jogo, o relógio marca quase meia noite de uma quarta-feira. “Será que tem ônibus lá fora?”. “Será que conseguirei acordar às cinco horas para ralar o dia todo?”. “Papai, amanhã tenho escola!”.
Outros torcedores (os privilegiados) pagam um bom dinheiro para ficar assistindo em casa, mas eles também acordam cedo, afinal todos os mortais têm obrigações e contas a pagar.
Enquanto isso, na briga pelos direitos televisivos dos próximos Campeonatos Brasileiros, a Rede Globo publicou uma nota onde começa dizendo: “Em respeito ao torcedor”. E a finaliza assim: “a parte mais importante do Projeto Futebol: o torcedor brasileiro”. Dá para acreditar?
No final, a novela que se inicia a qualquer hora, será sempre “das oito”, e o futebol respeitoso... vai saber.

2 comentários:

  1. Grande Diego! Isso que tudo é a pura verdade. Os jogos aqui no Brasil são muito tarde, os ingressos muito caros, os estádios muito mal tratados, os espetáculos muito ruins, e as televisões (a globo) muito ladra. Os ingressos teriam que ser mais baratos, porque 30 reais o torcedor mesmo, de classe humilde, como é a maior parte do povo brasileiro, não pode pagar, ainda mais, para pagar a passagem do ônibus, que o ponto fica longe, numa noite fria e chuvosa, desce do ônibus e tem que andar mais dois km pra chegar no estádio caindo aos pedaços, já com a bola rolando, sem meia entrada, etc. E os que ficam em casa, têm que esperar até às 22h pra assisrit o jogo, que só acaba meia noite, em uma televisão que reflete a ditadura da mídia, que desrespeita tanto o torcedor.

    O certo seria fazer como na Argentina, cara. O governo comprar os jogos do campeonato e passar na tv estatal. Um abraço.

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