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27 de janeiro de 2013

"Garoto com o porte físico de Messi é rejeitado"

O italiano Giglio, técnico da base do AC Milan, no Río de Janeiro (Foto: D.G.)
Após a vergonhosa eliminação na primeira fase do Sul-americano Sub20 das duas escolas da região (Argentina faturou o terceiro fracasso consecutivo em Sul-americanos) a CBF acaba de nomear Bebeto para começar uma "limpeza" nas categorias de base do Brasil. Segundo o italiano Alessandro Giglio, atual técnico do Milan Sub14 e da escolinha Sub7 e Sub12 do clube, "DNA argentino e brasileiro é de craque, mas não existe formação na base. Tem pouquíssimo treinador de crianças que utiliza bons métodos de ensino físico e técnico. Na Europa precisamos habilitação da UEFA, aqui com diploma de Educação Física consegue treinar em clube. Meninos de sete anos fazem alongamento, uma loucura, se podem machucar, e para ganhar massa muscular os garotos gastam mais tempo em trabalhar com pesos que com a bola. Si continuar desse jeito, haverá menos craques" avalia o Preparador Físico de 32 anos, e ex-jogador revelado na base do Milan. Formado também em Economia, nascido em Milano (norte da Itália) e admirador de Maradona (ídolo no Sul), Alessandro visitou Brasil para ministrar aulas do Milan Junior Camp (colônia de férias oficial do AC Milan) em locais com participação de meninos de classe alta, onde não abundam promessas, mas sim possíveis adeptos à marca do time. "No interior do Rio e em Manaus tem um monte de meninos bons de bola que não são vistos, não há olheiros por lá. Quando me interessou uma promessa, havia sete empresários encima dele, e aí não dá" disse Alessandro a EL DIEGO, depois de recorrer nove países, dos quais, só no Holanda e Brasil, ele ficou de olho em três garotos. "De dos mil crianças que são chamadas para testes, muitas vezes nenhum consegue vaga no Milan" disse realista, e afirma que todos seus futebolistas mirins contam com empresários e "presentes" das marcas top de roupa esportiva. Que qualidade principal precisa ter um piccolo para passar um teste no futebol de hoje? Bom físico, ao menos que assome um extraterrestre. Caso do garoto de 14 anos chamado de "Messi marroquino" e disputado pelo Barcelona e o Real, mas comprado pelo Milan: "Mastour é craque, da categoria '98 e joga em '96 na equipe Sub16 dirigida pelo Pippo Inzagui". Alessandro reconhece que nas peneiras não se privilegia a habilidade: "O Milan quer físico. Um garoto com o porte físico do Messi é rejeitado. Mas agora estão pensando duas vezes em mandar embora um baixinho" conclui.